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JanDica - Descrições
Descrever: O ato de expor minuciosamente; pintar por meio de discurso; representar em narrativa.
Quando não estamos narrando as ações dos personagens ou os seus pensamentos, estamos descrevendo. Lugar, pessoas, objetos. Sua leitora ou leitor necessita estar SITUADO.
A descrição implica num vocabulário conveniente com a cena. É necessário saber o nome dos objetos, o nome das partes do corpo humano referentes; e isso é uma dificuldade, sem dúvidas. Por isso, optei por um jeito diferente de fazer essa dica. Pedi às garotas que conversavam comigo de madrugada no twitter, que mandassem-me uma cena e um lugar. Seguem o que elas pediram e o que eu consegui fazer:
@itslaism pediu
Lugar: PUB
Pessoas: Amigas, Mcguy.
Cena: A principal encontra o Mcguy num Pub quando ali se concentra com as amigas.
Eflúvios de cigarro e doce eram emanados por aquele médio espaço para diversão. Um Pub inglês, legítimo. A entrada era pequena, e tinha apenas um segurança alto que resguardava o lugar. O primeiro passo era deixar o casaco para ser guardado; nesse simples ato, mulheres revelavam suas vestimentas pesadoramente esplêndidas. Naquele exato momento, eram três delas que o faziam. Tiravam sóbrios sobretudos para mostrar suas silhuetas femininas e arredondadas vestidas com a moda da personalidade de cada uma.
A mais alta delas chama-se Charlotte, ou apenas Char, para os mais íntimos. Sua cabeleira ruiva e cacheada estava solta, tocando-lhe as costas nuas pelo vestido de lantejoulas turquesa. Seu salto era pequeno, mas não disfarçava os 1,78m que media de pés descalços. Charlotte tinha aqueles lábios carnudos e rosados, os quais ela nunca pusera um batom; eram lábios invejáveis, e até mais do que os olhos de lince.
Logo atrás da belíssima Char, estava Agatha. Mais baixa e curvilínea, no entanto preferia usar calças de couro e camiseta dos Rolling Stones. Os braços aparentavam ser fortes, mas pelo modo que andava, não poderia ser por atleta. Nos pés os all-stars que ganhou quando tinha 15 anos, ainda com estrelinhas de caneta esferográfica e corretivo líquido.
Agatha tinha os cabelos curtos e rebeldes, de um louro platina – sonho de toda perua. Seus olhos eram cinzas, escondidos por sobre a maquilagem negra e os lábios cheios num Pink infernal. Agatha repelia apelidos para o seu nome: “Meu nome é meu nome, por que diabos ficar me dando outros?”
A terceira e última, Mary. As roupas no intermediário das amigas: Um tubinho negro, meia-calça três quartos, all-stars de cano-alto. Mary tinha um andar distinto, e os olhares que atraia deixavam-na mais alienada do que já era. Seus cabelos curtos e castanhos, lisos até os ombros, brilhavam ao ponto de ofuscar os olhos dos mortais homens presentes. Seus olhos cor de mel percorreram o pub entediados e, não notando nada estranho, rolaram em aversão ao ócio.
- Char, você trouxe cigarros? – perguntou Mary, segurando as amigas pelos braços e levando-as consigo em seus passos apressados.
- Nem pense em cigarros, Mary. Vamos nos divertir, e não ficar com os drogados e fumantes loucos. – disse Charlotte em sua pose de mãe maravilha.
Agatha, como sempre, ficara silenciada. Odiava essas conversas idiotas entre Mary e Char sobre quanto tempo ficariam sem fumar; eram duas viciadas mesmo! Ela poderia ser a roqueira, mas nunca se deixara viciar pelas drogas que já consumira. Preferia doces.
O caminho das três garotas – agora sem sobretudos sóbrios – seguiu-se até o bar.
O Pub era dividido em várias partes. Tinha o bar, em seus tons de néon, para um refresco ou para afogar-se. Mesas ali perto, com cadeiras para um snack, ou confortáveis sofás de veludo roxo.
Havia a mesa de sinuca ali mais perto, acompanhada de outros jogos como Pebolim e Dardos. Homens mais velhos espalhavam-se por lá, média de quarenta anos por diante. Um palco para shows que ocupava pouquíssimo espaço, e que no momento estava ocupado por um homem e uma mulher que praticavam um dueto de jazz e blues. O chão era coberto por um expesso carpete acinzentado, que mantinha abafado o som dos saltos e sapatos, além de cumprir o bom papel de deixar os perfumes do Pub ali sempre envergados. Por ali perto, a danceteria, composta pelo piso dance 80’s, globo de espelhos e luzes virtuais.
As três moças estavam acostumadas com aquele lugar. Perderam as contas de quantas vezes já vieram para nesse mesmo ambiente, como todo fim de semana entediado, sem namorado e com Charlotte brigando para parar com os cigarros.
Sentaram-se nos bancos altos de assento aveludado.
- Martini. – pediu Charlotte.
- Cerveja – Agatha disse, já virando seu corpo para o barman.
- Whisky. White Horse, por favor. – a última pediu, colocando uma mecha do cabelo liso para trás da orelha e remexendo-se na cadeira. – Sinceramente, essas cadeiras são tão desconfortáveis. Imagino um gordo sentando aqui, não tem lugar para a bunda das pessoas.
- Belo comentário, Mary lunática. – Agatha disse, na última vez que ouviu-se sua voz, antes dela começar um assunto interminável com o barman.
Logo os olhos de Char e Mary juntaram-se à jornada interminável: Find Somebody. Não podia ser qualquer um. Tinha de ser bonito, charmoso, vestir-se bem, cheirar a um bom perfume…
Mel. Azul. Mel. Azul.
Encontro de dois olhares desconhecidos, reconhecendo-se; mas de onde? Talvez de um antigo complexo de ligações, relações…
O olhar de Mary havia se chocado com o de outro homem, do outro lado da pista de dança, em pé, conversando com os amigos. O olhar fixo um no outro, ela parou para observá-lo: Cabelos castanhos escuros, curtos e propositalmente bagunçados. A barba por fazer, os olhos azuis como se pintados em aquarela, a pele alva reluzindo ante a iluminação bárbara da discoteca. O corpo alto, os braços fortes escondidos pelas mangas de uma pólo de listras em tons azulados; jeans velhos e tênis surrados.
Charlotte olhou para amiga, passou diversas vezes suas mãos hidratadas na frente dos olhos da garota, mas esses pareciam vidro, hipnotizados. A ruiva assustou-se quando Mary levantou e em passos tortos, e não mais na elegância do seu andar, dirigiu-se àquele homem, tão determinada como se dirigiria ao altar.
Quanto a essa proposta da Laís, o que tenho a acrescentar…
Bem, eu sei como é um pub pois perguntei à minha antiga professora de inglês, que morou durante anos na Inglaterra. Descrevi como ela me falou exatamente e como eu o tinha em mente.
Incrivelmente, dessa vez não recorri ao dicionário, mas ele estava aqui do meu lado para as emergências.
A descrição do lugar, eu o faço como um geral. O lugar, como nesse caso, pode ser mais plausível em interpretações quaisquer. Foi praticamente dar a idéia de algo e deixar fluir a imaginação de quem lê.
Gosto de descrever as pessoas no que elas mais chamam atenção, naquelas partes físicas que convém à personalidade. Imaginem, como deve ser Charlotte e aqueles cabelões vermelhos e vestido de lantejoulas? E Agatha e seu visual rock punk?
A descrição tem que ajudar em algo, ela não deve estar ali, só por estar ali. Mary, por exemplo, junta as personalidades das amigas e forma uma personalidade própria em sua roupa e estilo – assim como em sua estética corporal. E o que ela encontra no Mcguy é o seu encaixe: ora a sobriedade da blusa pólo, ora a molecagem do jeans surrado.
Gosh, estou fazendo uma crítica do que escrevi?
É, parece que sim.
Mas acho que é por esse caminho que as coisas vão. Não sou escritora nata, nem tenho atestado em letras ou literatura; apenas tento ajudar.
-pandaboo
Dica de Descrição:
Talvez a maior dificuldade numa descrição é, além de ter o vocabulário, colocá-lo de acordo com o que você precisa para a fic. Ás vezes, um descrição por demasiado minuciosa pode vir a se tornar monótona, já que não acrescentará muito.
Não é preciso descrever todos os lugares pelos quais o personagem passa; apenas aqueles os quais são freqüentes e/ou importantes no decorrer da história.
Também não é necessário que se liste demais as coisas, a idéia pode ser generalizada.
Quanto à montagem de características físicas e pessoais dos personagens, caso queira fazê-las completas, pode dividir a descrição. No capítulo um, você comenta da cor dos cabelos, olhos, cor da pele; faz um básico. Também mantém um básico da pesonalidade. Já lá no capítulo três, você adiciona que a personagem andou perdendo peso, que gosta de roupas country, e que tem pernas muito finas e desproporcionais. E assim vai…
Contanto que não haja revolta de parar de descrever ou de, simplesmente, começar a fazer tópicos, pois bem, estamos todas a salvo!
Xx pandaboo
(Se ainda quiserem mais exemplos de descrições, é só twittar e pedir @fanficreviews, já tenho as sugestões e posso escrever mais alguma coisa. Lembrando que: Eu também sou escritora amadora, e tenho meus trejeitos e defeitos. Então, meu texto não é perfeito; mas pelo menos é alguma base, certo? E se vocês gostam… bem, isso tem de dizer alguma coisa!)